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Definição de Design

Desenho ou Design?

De modo geral, o termo Desenho Industrial é usado, principalmente pelo leigo, para descrever apenas a forma de um produto. Mas não é só isso.

Gui Bonsiepe define Design (Desenho Industrial) como “uma atividade projetual, responsável pela determinação das características funcionais, estruturais e estético-formais de um produto, ou sistemas de produtos, para fabricação em série. É parte integrante de uma atividade mais ampla denominada desenvolvimento de produtos. Sua maior atribuição está na melhoria da qualidade de uso e da qualidade estética de um produto, compatibilizando exigências técnico-funcionais com restrições de ordem técnico-econômica.”

No Brasil o termo “Design” é traduzido como “Desenho industrial”. Muitos afirmam que esta tradução guarda uma limitação conceitual importante: que design não é desenho; que design transcende essa definição; que desenho é apenas uma das fases da produção do Designer.

Pura balela! Isso é uma afirmação vinda de profissionais com mentalidade provinciana, principalmente das décadas de 50 e 60 quando o Design começou a crescer no Brasil. Se hoje ainda adoramos termos americanizados, imagine naquela época. Seria bem mais lógico olhar o dicionário. O Dicionário Aurélio define desenhar como:
Do it. disegnare
1. Traçar o desenho. Dar relevo a; delinear;
2. Conceber, projetar, imaginar, idear.
……..
Ou seja, desenhar também é projetar, e não apenas debuxar.

Mas tudo bem. Já que até o dicionário Aurélio incorporou o termo em inglês, que assim seja.

 

O Desenhador (ou Designer)

O Desenhador não é artista, mas utiliza elementos de arte no desenvolvimento do projeto. O artista, por definição, expressa uma ideia ou sentimento em um determinado meio, não tendo preocupação com aqueles que entrarão em contato com a peça, enquanto o Desenhador tem como objetivo o mercado consumidor. O seu produto deve alcançar um padrão de venda satisfatório, considerando-se técnica, qualidade, estética, público alvo, ou possibilitar a divulgação e melhora de um já existente. Restrições técnicas-projetivas são uma constante no trabalho desse profissional. O seu mérito é superá-las e transformar o produto em um sucesso comercial. Ele tem que ser capaz de transitar por vários estilos, deve ser capaz de adaptar o seu trabalho à vontade do cliente e encontrar a melhor solução para o caso.

Origens do Desenho

por Rosana Vaz Silveira

Pode-se dizer que a origem do desenho se deu através da linguagem, como forma de comunicação. Pesquisando nossos antepassados, encontramos manifestações artísticas rabiscadas nas cavernas em que moravam, sendo batizadas de Aborigenografia. As ações que faziam durante o dia (caçadas, aventuras com um animal selvagem, a conquista de uma fêmea) eram traçados nas paredes das cavernas como forma de expressão.

As primeiras ideografias, ou seja, toda e qualquer forma de expressão gráfica proposital humana, com desenvolvimento natural e objetivo de haver um sistema de comunicação referente a imagem ou palavras, não são de fácil definição. O problema acontece pela falta de organização no sistema de linguagem e de uniformidade nas convenções gráficas, caracterizando a aborigenografia, pois nem sempre é possível o entendimento da mensagem do autor. Já que não possuíam uma língua definida, a comunicação era transmitida através de gestos, sinais e signos. Ao estudarmos o desenho é necessário estudar também a linguagem e, para isto, devemos nos familiarizar com os fundamentos da Linguística e da Semiologia.

A Linguística, como estudo científico, surgiu em 1916, tendo como interesse principal a linguagem resultante da fala humana ou linguagem verbal, como o campo do saber humano que identifica, pesquisa, estuda e sistematiza os conhecimentos relativos, principalmente os provenientes da fala.

A Semiologia, a partir do campo do saber humano, sistematiza conhecimentos relativos ao significados dos signos utilizados em diferentes tipos de linguagens usadas na comunicação humana, onde o termo provém do grego semeion, ou signo.

1compA cultura de ideias de um ser humano é formada a partir de vivências no seu âmbito, adquirindo conhecimento através de elementos significantes de suas linguagens “verbais” e “não-verbais”. A linguagem verbal seria uma comunicação vocal ou oral, opondo-se à não-verbal que se caracteriza pela escrita ou grafismo. Porém, ambas compõem uma comunicação total. Podemos entender, então, por que a criança se comunica através de mímicas e gestos: pois fica mais fácil compreender. Com o tempo, a linguagem verbal vai se familiarizando no seu cérebro, realizando uma composição que intensifica a comunicação. A escrita sendo uma linguagem gráfica, fez com que o grafismo conduzisse o homem a formar uma civilização na qual pudesse comunicar-se entre si. O emprego dos sinais desenvolveu um significado, ou seja, conceitos inteligíveis de um ser humano que se transformam em um signo. O signo provém de um sinal impresso na mente, onde proporcionará conhecimento através do grafismo em qualquer circunstância pelas semelhanças, analogias e causas. Estes signos, devido à qualidade funcional e estética podem ser considerados símbolos, tornando-se conhecidos em qualquer lugar do mundo, podendo também representar algo mais do que significa para um povo em relação a outro. (Ex.: signo iconográfico de um peixe pode significar um ser vivo das águas ou mentor de uma religião.)

Através de elos entre o desenho e a escrita, podemos compreender melhor a origem gráfica da palavra desenho. Investigando a língua dos povos foi possível entender este envolvimento. Uma das línguas oficiais da Índia, a hindi, tem como principal característica escrever tal como se fala, a chamada “língua fonética”. Já os índios americanos da tribo Siona utilizavam a mesma palavra para se referirem ao desenho e à escrita. Esta característica de expressar o desenho e a escrita por uma mesma palavra faz parte de pelo menos três línguas diferentes: a egípcia, que não existe mais, a chinesa e a grega.

A escrita egípcia é realizada através de desenhos que identificam o ato da palavra. A chinesa entende desenho e escrita pela palavra “caligrafia”, onde o ideograma é caracterizado pela união de quatro grafismos: a mão que segura um pincel (ferramenta típica da China), dois pequenos traços que significam o signo e o contorno de uma boca que representa a palavra e o pensamento.

Como podemos observar, a comunicação é iniciada através de mímicas, gestos e desenhos. É uma forma de orientar e aproximar dois indivíduos para que se entendam.

O homem necessita da comunicação para estabelecer-se em uma sociedade. É como vermos pessoas de países com idiomas diferentes tentarem se comunicar através de gestos e, até mesmo, desenhos. Para que uma criança se familiarize com o idioma do âmbito em que vive, existem técnicas usando desenhos, facilitando um aprendizado mais preciso. Inclusive para deficientes físicos o processo de comunicação proporcionou uma ajuda, favorecendo sua integração com sociedade. No caso dos surdos-mudos, o alfabeto gestual facilitou a compreensão e o próprio aprendizado. Já os cegos, ganharam uma grafia interessante através de pontos, a qual fortaleceu suas habilidades perante a sociedade, estabelecendo oportunidades para participar de concursos e trabalhar em empresas.

O desenho como linguagem é caracterizado também na forma de ícone. A iconografia ou “desenhos de imagem” é considerada a mais primitiva representação gráfica para expressar as ideias do pensamento humano. A linguagem fonográfica ou “escritas da fala”, representa sons articulados emitidos pela fala humana, considerados uns dos mais sofisticados modos de expressão gráfica. Porém, médicos e estudiosos acreditam que essa tendência de utilizar linguagem fonográfica para iniciar a educação compromete a formação de cidadãos, especialmente em sociedades ocidentais que estão em fase de desenvolvimento econômico. Como algumas crianças não têm contato com formas primitivas, acabam tendo dificuldade em entender as formas fonográficas, prejudicando o desenvolvimento sistemático, através da educação formal, de todo o seu potencial afetivo-cognitivo, psicomotor e intelecto-criativo. A partir dos quatro anos de idade, a criança começa a estabelecer uma distinção muito importante entre o universo gráfico próprio do desenho de observação e o universo gráfico próprio da escrita.

As representações gráficas, com um estudo profundo, ajudam-nos a compreender e até mesmo encontrar as razões da necessidade humana de grafar suas ideias.

Origem do Design Moderno

bauhausO design moderno do século XX, originou-se de movimentos artísticos que resultaram no seu desenvolvimento. No século XIX, na Inglaterra, o movimento moderno teve início através dos princípios e idéias de John Ruskin, crítico de arte que pregava valores estéticos com moralidade; William Morris, designer, poeta e teórico social, que promoveu e realizou a revalorização da tipografia clássica na impressão e nas técnicas artesanais do design de produtos. Logo no final do século, os arquitetos norte-americanos Louis Sullivan e Frank Lloyd Wright, aprimoraram as formas dando funcionalidade às construções.

No começo do século XX, através dos movimentos artísticos, o design sofreu mudanças incríveis no seu curso. E não podemos falar em design sem mencionar Bauhaus. A Bauhaus foi um centro de estudos que reuniu e consagrou grandes nomes da arte moderna. Unindo concepções artísticas e idéias colhidas das duas primeiras décadas do século, fez com que a escola tivesse como objetivo formar arquitetos, pintores e escultores em um ambiente de oficina. A escola é reconhecida como responsável pela introdução na arquitetura e no design de interior, considerada fundadora do design industrial.

Em 1919, Walter Groupius foi convidado a estabelecer a Bauhaus em Weimar, na Alemanha. Groupius introduziu materiais tecnológicos favorecendo a oficina artesanal do Bauhaus, já que Willians Morris, cinco anos antes, havia tentado fazer a criação do design com base na habilidade técnica industrial, porém, sem sucesso pelo seu excesso de romantismo. Em 1923, foi possível a criação da Bauhaus Press, com a direção de Moholy-Nagy, onde a tipografia tornou-se curso graduado em 1925.

O design, sob influência da Bauhaus, recebeu mestres incríveis como Paul Klee, Wassily Kandinsky, Moholy-Nagy, Josef Albers e Herbert Bayer. Paul Klee revolucionou a pintura através da sua visão einsteiniana e seu inconsciente freudiano; Wassily Kandinsky explorou a geometria e as cores primárias; Moholy-Nagy incentivou o uso da tecnologia através de fotos montadas e coladas, inovando as imagens visuais e simplificando a tipografia; Josef Albers intensificou o movimento do design bidimensional e a complexa teoria da cor; Herbert Bayer fundamentou o estilo tipográfico da Bauhaus, predominando as letras minúsculas para títulos e nomes.

Em 1933, depois do fechamento da Bauhaus, o design industrial começou a crescer e o design gráfico desenvolveu uma assimetria instituída. A tipografia se formava com novas expressões, as cores primárias como vermelho, amarelo e azul, receberam outra ênfase, assim como as formas primárias, o círculo, o quadrado e o triângulo. A publicidade se tornou importantíssima por ter sido curso da Bauhaus no final da década de 20. Passada a década de 60, o movimento artístico modernizado, chamado de “Pop”, caracterizou-se pelo estilo dadaísta com imagens mais comerciais do design gráfico, sendo aplicado na publicidade e na indústria de embalagem.

A procura do significado da palavra design moderno é difícil pelas inúmeras características que marcaram o novo estilo de trabalho. A mudança ocorrida nas cores primárias, nas formas e nas suas próprias projeções em terceira dimensão fizeram da época um momento de transformação originada dos movimentos artísticos.
O estilo moderno se adaptou através da influência de nove movimentos, tais como:

  • Art Nouveau, considerado o alarme falso do movimento moderno com a formação de um estilo artístico aplicado em pôsteres;
  • Cubismo, influenciou o design através da utilização da montagem e colagem, rompendo regras tradicionais de representação e forma;
  • Futurismo, estimulando os elementos de design através dos meios mecânicos;
  • Dadaísmo, trazendo ao designer as possibilidades do valor do humor e do chocante para despertar o observador, tornando o trabalho atraente, como também a reavaliação das formas tipográficas;
  • Surrealismo, usou a ilustração através do inconsciente, proposta por Sigmund Freud, aprimorando as fontes de inspiração para a comunicação visual;
  • Construtivismo, influenciou para a organização do design, onde os dadaístas e surrealistas haviam rompido certas barreiras da comunicação. Com a intervenção da Revolução Russa, foi possível criar uma nova proposta para a comunicação visual;
  • Art Déco, foi contrária à simplicidade do design moderno, desenvolvendo elegantes embalagens, extravagantes cenários e tipos de letra com filigranas, ousando no brilho e no colorido;
  • De Stijl e Bauhaus, respeitava um design assimétrico a partir da evolução do Cubismo proposta por Piet Mondrian. Após o fim da Bauhaus este estilo foi se expandindo às formas de material impresso como anúncios, cartazes, livros, folhetos e revistas.

Com o avanço da modernidade, o design se desenvolveu em estruturas aprimoradas criando novas profissões, como o Desenhista Industrial, o Programador Visual (evolução do arte-finalista e layoutman), e com a evolução da informática criou-se a função de Web designer para desenvolver sites na Internet.

Cada vez mais a modernização do design vem rompendo barreiras, como por exemplo, as cores fortes nos móveis e utensílios, bem como o uso do plástico para a confecção do material, o que serviu para baratear o custo da produção do produto. A partir do avanço da tecnologia e do mercado foram reavaliadas as propostas do design, transformando todo este estudo em uma tendência chamada Design Integrado, com o desenvolvimento das formas e encaixe das peças mais organizados e perfeitos. O avanço do design do carro influenciou o design das embalagens. As formas arredondadas, a cor metalizada e perolada, o pára-choque interessante e a aerodinâmica acrescentaram, e muito, para aprimoramento e mudança da forma. A partir deste encaixes, através das formas, onde, por exemplo, o carro foi arredondando-se e encaixando-se de forma mais organizada, ligando diretamente uma peça a outra, proporcionando um formato mais anatômico e acrescentado a cor perolada, temos um design integrado.

Fonte:
www.xdesign.com.br
Dicionário Aurélio
Monografia de conclusão de curso de Rosana Silveira.

Desabafo de um Designer

por Adolfo Morandini (2008)

“Não me peça para dar a única coisa
que eu tenho para vender” (Cacilda Becker)

Nós, designers, (bota aí também os ilustradores e artistas) adoramos o que fazemos. Ninguém entra nessa área sem ter, no mínimo, muita paixão pelo que faz.

Nesses quase 23 anos de atuação profissional através do meu próprio estúdio, perdi a conta de quantos clientes, amigos e desconhecidos me pediram logotipos, ilustrações, artes, ‘desenhinhos’ ou ‘pequenos favores’ de graça. A maioria foi delicadamente recusada mas, confesso aqui publicamente meus pecados: já atendi alguns desses pedidos… Tá legal, vou falar a verdade… Já atendi VÁRIOS desses pedidos! (tenho culpa de ter muitos ‘amigos’?) Mas também tenho de dizer que, depois de longo ‘tratamento’  já estou quase curado dessa incômoda patologia!

E não estou falando de filantropia, pois quando identifico trabalhos sociais bem intencionados, faço questão de atender e ajudar. Falo de pedidos sem remuneração, feitos para atender necessidades pessoais, comerciais e corporativas. Coisa que vai gerar retorno, seja de imagem, de público ou até mesmo financeiro.

Ao longo desses anos, esses pedidos assumiram as mais variadas formas e vieram disfarçados sob os mais diversos argumentos. Seguem os mais comuns:

  • Não precisa ter pressa… Quando você tiver cinco minutinhos sobrando você faz.
  • No momento a grana está curta, mas assim que der retorno a gente acerta!
  • Faça esse trabalho de graça e no próximo eu nem pergunto o preço!
  • Pagar eu não posso, mas vou divulgar seu nome para todo mundo!
  • Você poderá divulgar seu nome junto com o desenho ou colocar sua assinatura na arte!
  • Isso pra você é moleza…
  • Tenho um amigo que faz de graça mas quero dar a oportunidade para você!
  • É uma parceria: você faz de graça agora e ganha lá na frente!
  • Faça uns esboços. Se eu gostar a gente acerta um preço.
  • Não precisa ser nada muito caprichado…
  • Faz aí depois a gente acerta!
  • Ah, mas isso é diversão para você! Você faz brincando!

Todas essas frases e pedidos me levam a acreditar que essas pessoas que pedem coisas de graça acham que:

  • Eu não me alimento, não tenho contas para pagar e meu carro é abastecido com ar.
  • Meus softwares são de graça e recebo meus computadores e equipamentos como doação.
  • Minha conexão de internet é feita através de telepatia.
  • Eu desenho por diversão, crio logotipos por prazer e projeto coisas apenas para ocupar o tempo.
  • As ideias nascem na cabeça por geração espontânea.
  • Acho livros e material de pesquisa na rua.
  • Recebi uma herança (grana pra nunca mais ter de trabalhar!) e resolvi virar uma espécie de ‘Madre Tereza de Calcutá’ do design e da arte, fazendo apenas caridade.
  • Meu dentista, meu contador, minha faxineira e todos aqueles que prestam serviços para mim, trabalham por prazer, sem cobrar um centavo!

No ‘mundo real’, porém, a matéria prima do meu trabalho é uma equação muito bem balanceada. Ela é composta de TEMPO (um bem muito precioso!), IDÉIAS (fruto de mais de 30 anos de estudo e uma vida inteira de experiências), PROFISSIONALISMO (coisa rara nos tempos atuais) e CONHECIMENTO (resultado de todos os trabalhos feitos até hoje e de MUITA pesquisa).

Isso tudo tem um valor. O valor que, quando é pago, reverte em benefícios enormes para quem me contrata, gerando muito retorno institucional e financeiro.

Design e arte não são caros. A forma com que se investe neles (pagando por eles) é diretamente proporcional ao grau de seriedade que uma pessoa tem em relação ao seu empreendimento, seu pequeno negócio e sua própria imagem.